A Macambúzia Jubilosa
Não existe nada mais vulgar do que querermos ser especiais - William Shakeaspeare
28 Fevereiro 2007
12 Fevereiro 2007
Escala 5.8
Ganharam as mulheres, um direito que sempre deviam ter tido, cuja inexistência teimava em trata-las como caprichosas, emocionais e incapazes de decidir conscientemente. Ganharam os homens. Ganhou o futuro. Ganhou uma gravidez desejada e planeada. Ganhou a liberdade. Ganhou a saúde pública. Ganhou um Estado social e responsável. Ganhou a laicidade do estado. Ganhou a prevenção. Ganharam as bases para uma política de planeamento familiar integrada. Ganhou o ínicio de um longo trabalho pela frente.
Perdeu a clandestinidade. Perderam os riscos de saúde. Perdeu a imposição da vontade alheia. Perderam as perseguições jurídicas e sociais. Perdeu o medo, a humilhação e a vergonha. Perdeu uma lei que não proibia, apenas dizia que era pecado e que portanto tinha que se esconder. Perdeu, pela mão do próprio povo, a Igreja e a sua profunda misoginia.
Não me regojizo entusiasticamente com esta vitória, apesar de a assumir e a sentir como tal. Sinto-a mais como uma vitória calma e expectante, pois o entusiamo é contrariado por uma profunda consciência do muito que ainda é preciso fazer e do que Portugal ainda é.
Não obstante a noção do atavismo em que Portugal ainda vive, foi um salto. Um salto de costumes, um salto cultural, um salto no quadro dos direitos humanos. Mostrou que Portugal não está parado. Que as mudanças e as evoluções ocorrem.
E apesar de ser um salto que devia ter sido dado muito antes, era um salto que precisava ser dado. E foi. E ainda bem.
Venham agora aliados a este salto, outros: um efectivo combate ao aborto clandestino, a promoção da educação sexual, o planeamento familiar integrado, uma maior protecção da maternidade e paternidade, políticas de conciliação trabalho/maternidade-paternidade e tantas, tantas, tantas outras.
07 Fevereiro 2007
05 Fevereiro 2007
Nova estratégia do Não: confundir e ganhar pela abstenção
Portanto, a ver se percebo: não querem a despenalização do aborto e por isso vão votar "Não", mas depois vão despenalizar o aborto na Assembleia da República...
Bem.. e se isto pega, não há Estado de Direito que aguente. É a sua total e perfeita auto-anulação.
Ainda a propósito deste assunto, fica este texto:
"Para além de ser desonesta nesta fase da campanha, lançando confusão em favor do «sim» junto do eleitorado, a proposta para após o referendo «despenalizar na Assembleia da República» é totalmente ilegítima, caso vença o «Não»: ou a vontade das pessoas que respondem áquela pergunta é respeitada, ou então não valeria a pena sequer fazer a pergunta. Não se pode andar a brincar e a gozar com as pessoas." - (Via Arrastão)
Até parece que isto foi escrito por um activista do "Sim".... mas "Não" foi.
Um Gato Esclarecido
Contributo de José Diogo Quintela no blog Sim no Referendo :
"A partir do momento em que nem a ciência consegue estabelecer, com o mínimo de unanimidade, quando é que o embrião passa a ser uma pessoa, não considero aceitável que o Estado proíba alguém de abortar. Não se pode condenar alguém (porque é disso que se trata) com base numa indeterminação. As questões que podem impedir que se despenalize o aborto são questões morais e, sobre essas, o Estado não pode legislar.
Mais: a partir daí, não se pode questionar as razões que levam uma mulher a abortar. É da consciência de cada uma. Não cabe ao Estado, à Sociedade ou a qualquer Grupo de Sábios, sancionar ou não os abortos.
Até por isso, confesso que não me revejo numa linha de argumentação que costuma apelar ao sentimento, lembrando as “mulheres que são forçadas a abortar” por “não ter alternativas”. Parece que não há escolha e que, ao extremo, se alguém (o Estado, por exemplo) fornecesse uma alternativa, a mulher teria de levar a gravidez até ao fim. Não, eu acho que independentemente da razão (com a qual não tenho nada que ver) a mulher aborta porque pode, porque quer e porque escolhe.
Não considero aceitável que pessoas ou grupos de pessoas queiram impor a sua norma moral (que cada um tem o direito de ter) a outros, tornando-a lei. Emitam os juízos de valor que quiserem. É próprio da nossa sociedade poder fazê-lo livremente. Mas não os queiram tornar vinculativos. É próprio da nossa sociedade não subjugarmos os outros à nossa moral.
Há uma série de questões, que têm que ver com o que acontece a quem aborta depois das 10 semanas e com o prazo a partir do qual já estamos perante uma vida humana. Sou sensível a essas questões. Mas, para já, não é isso que está a ser votado. Para já, importa é aprovar uma lei que é melhor do que a anterior. Por isso, voto sim."
3 Relíquias Misóginas
A sociedade devia definir uma punição. Para mim, seria suficiente chamar a mulher, fazer-lhe um discurso que a obrigasse a ponderar. Bastava que pedisse desculpa à sociedade para arrumar o assunto. - Daniel Serrão, Médico, especialista em ética da vida e conselheiro do Papa.
Em caso de vitória do "sim", a mulher devia ser obrigada a pensar" - Adão Fonseca, Norte pela Vida.
30 Janeiro 2007
E a saga das relíquias continua...
Este referendo, está a dar-me particular satisfação. Tem feito vir ao de cima e exposto o que de mais atávico este País tem.
Eis agora que o Cardeal Patricarca, responde à minha solicitação, para que, caso passasse por aqui algum membro do clero, me esclarecesse sobre esta questão (é óbvio que o senhor veio a este meu muito frequentado, célebre e afamado blog e sentiu-se na obrigação de responder. O meu muito obrigado por isso).
Ora perguntava eu, nesse post, que estratégias defende a Igreja para acabar com os abortos clandestinos, se seria, eventualmente, através da Educação Sexual. Ao que ele responde:
A educação sexual "é bem-vinda e necessária", mas para ser "verdadeira" tem que ser feita na "perspectiva da castidade".
Considera ainda que "enquanto o ambiente for o de cada um fazer o que lhe apetece, o uso da sexualidade levará, cada vez mais, ao desrespeito da pessoa humana de que resulta. A violência familiar, o abuso de crianças, a sida, a utilização da mulher como objecto, os percalços indesejáveis na adolescência, o aborto".
Portanto, educação sexual sim, mas através da castidade.
Ora... a educação sexual presupõe uma educação para o sexo (certo?), se se defende a anulação deste, como pode existir educação para algo que não existe?
Bem... alguém explique ao senhor (deixem... explico eu, uma vez que o mesmo é frequentador assíduo deste blog) que Educação Sexual, tal como o nome indica, implica e incide sobre o campo da sexualidade, ou seja, SEXO. Várias formas de sexo e sexo em todas as suas formas, orgãos sexuais, sistema reprodutores, muito sexo, sexo desenfreado, sexo sujo, sexo badalhoco, sexo com fluidos e odores, pronto... essas coisas nojentas todas.
Sei sei... educação sexual é muito mais que sexualidade em si, mas convenhamos, incide nela e nas suas derivações, formas, prevenções e consequências.
E podia ainda dizer-lhe que sexo é bom e que devia experimentar, mas longe de mim ser paternalista, nem tão pouco influenciar a LIBERDADE de escolha de cada um...
Ora bem, mas o Sr. Cardeal, para variar deixa a pitadazinha de culpa individual, (que sempre foi apanágio da Igreja e estratégia para a angariação de potenciais crentes, que depois têm todo um processo de purificação a fazer, purificação essa que a igreja vende) ou seja, a transmissão da ideia de que sexo é mau, sexo promove violência familiar, sexo promove abuso de crianças (oh sr. padre, não me faça falar), sexo transforma mulheres em objectos (oh Sr. padre, desculpe escandaliza-lo mas a generalidade das mulheres, pasme-se, GOSTA DE SEXO! e a imagem criada por algumas pessoas relativamente ao sexo e às mulheres, foi/é contributo vosso).
Mas desta feita, o Cardeal deixa também a pairar a tentativa de indução de sentimentos de culpa colectiva e mais uma vez se apela ao egoísmo numa estratégia intelectualmente e moralmente honesta assumida pela campanha do Não: "O exercício individualista da liberdade origina uma sociedade permissiva. O Estado gasta uma parte significativa das suas capacidades e energias a corrigir abusos de liberdade".
Não, a sério... eu estou simplesmente a adorar este referendo...
29 Janeiro 2007
19 Janeiro 2007
E mais outra Relíquia...
Tontinhas que somos,
Vamos abortar tanto como falamos ao telemóvel.
Tagarelas que somos...
Não nos dêem, por favor, essa liberdade, essa responsabilidade (como se nem sequer a tivessemos já),
Porque, ao contrário deste senhor, somos incapazes de "chegar a conclusões, pensando",
Seres emocionais que somos...
Optem, decidam por nós...
Doutra forma faremos o impensável,
E criaremos uma cultura de morte.
Mais uma Relíquia Obscurantista
Comparações com penas de morte, terrorismo, campanhas feitas nas missas e agora esta relíquia que só vem na linha dum revivalismo medieval digno da caça às bruxas:
16 Janeiro 2007
A Fogueira
Nem vale a pena desmontar argumentações obscurantistas e mediaticamente oportunistas. Mas já que se fala em ditadores, mortes, Igreja, e em "penas" que não vieram em tempo útil para quem perdeu o "direito à vida", vale a pena mostrar este video da campanha da Amnistia Internacional em Espanha.
15 Janeiro 2007
11 Janeiro 2007
Perguntinha 2
Quero acreditar que o direito à vida que a Igreja tanto defende (bem reflectida ao nível da sua participação muitissimo entusiástica na campanha do Não), refere-se não apenas às IVG´s até às 10 semanas, mas tambem aos que são feitos actualmente na clandestinidade. Todos terão, portanto, direito à vida. O aborto em si é condenado pela Igreja, os legais, os ilegais, os semi-legais.
Considerando que o direito à vida é uma matéria com a qual a Igreja se preocupa tanto, gostava de saber:
Que estratégias acha a Igreja que devem ser implementadas para combater os abortos clandestinos, de forma a que estes deixem de existir, existindo assim o direito à vida a todos?
Através da sensibilização, responder-me-ão? sensibilização do que? do celibato? é que do planeamento familiar não deve ser, uma vez que a Igreja continua a condenar o uso de preservativos, até mesmo em contextos como o flagelo da Sida em África.
Através da educação sexual? educação sexual a meu ver implica a abordagem à questão do planeamento familiar, pelo que, por aí tambem não deve ser... E não sei porque mas não me parece temática que a Igreja defenda que se ministre nas Escolas. Mas posso estar enganada, obviamente.
Se porventura por aqui passar algum membro do clero, eu ficaria cheia de júbilo se o mesmo cometesse o obséquio de me esclarecer (e de me iluminar). Pois não posso sequer crer que a Igreja que se debate tanto pelo direito à vida, considerando o aborto uma forma de terrorismo, não se preocupe, se manisfeste nas suas missas e apresente propostas de acção para resolver a questão dos abortos feitos na clandestinidade.
Perguntinha 1
A argumentação do Não é simplesmente inqualificável. Diria mesmo, jogo sujo, manipulação da informação. Dar um argumento que toque pessoalmente ao cidadãos: a carteira, os seus impostos, apelo ao egoismo inconsciente de cada um. Vamos todos andar a pagar, com os nossos impostos, que tanto nos custaram a ganhar, os abortos das malucas das adolescentes.
Sobre isso, deixo este excerto do blog "A Infelicidade ao Alcance de Todos":
Para além de argumento filho da puta, como diz o autor, é argumento estúpido. Contabilizem então os custos que o estado teria com processos juridicos contra todas as mulheres que cometem aborto, contabilizem os gastos com a prisão de todas elas. Sim, porque se lei existe é para se cumprir. E ela existe. Assim. Nestes exactos termos:
"ARTIGO 140º do Código Penal - Aborto
1 Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.
2 Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, é punido com pena de prisão até 3 anos.
3 A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos."
O facto de existir uma reduzida percentagem de mulheres a quem é movido um processo, diz apenas que esta é uma má lei. Mas o facto de poucas mulheres serem condenadas não pode ser argumento para continuar a existir, como alguns elementos da igreja alegaram...
E contabilizem-se ainda os custos com complicações abortivas ilegais, considerando que em 34% dos abortos (ver estudo) houve necessidade de recorrer a serviços de saúde.
E contabilizem ainda (se conseguirem) todos os danos físicos, morais e psicológicos de quem aborta clandestinamente e ainda é julgado em praça pública por isso.
Acho ainda particular piada às acérrimas criticas efectuadas aos cartazes do Bloco de Esquerda, acusados de serem excessivamente agressivos.
Não são agressivos, são realistas. A verdadeira questão deste referendo é esta: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Pois quanto a mim, agressivo é usar estratégias que promovem a salvaguarda da "carteira" e que apelam ao coração (a bater) e dessa forma escamoteam e retiram toda a seriedade ao que está verdadeiramente em causa.
E o que está em causa é o artº140 d0 código penal.
E faço, portanto, esta perguntinha, que não consegui ver, até agora, respondida por nenhum dos apoiantes do Não: Querem que as mulheres que abortem sejam condenadas a 3 anos? ou defendem a perpetuação duma lei, que não querem ver aplicada? Duma lei que existe, está lá, mas não é para ser cumprida, apenas serve para... para.... (para que mesmo?) E se sim, não vêm nisto um paradoxo absoluto?
E se concordam.. ao menos que assumam. Quero ouvir pelo menos um apoiante do Não dizer que concorda com a condenação das mulheres. Um apenas.
04 Dezembro 2006
50 Mulheres, a Ameaça

Depois da França e da Itália, o governo Holandês declara ilegal o uso de burkas por parte de mulheres muçulmanas em espaços públicos.
Sou obviamente contra o uso de burkas, por tudo aquilo que, literalmente e não literalmente, esconde. Retira a identidade de uma mulher, que deve ter rosto, deve ter cara, deve ter individualidade. Causa-me consternação, custa-me sequer compreender que o façam.
Mas o facto de ser contra o seu uso, não quer dizer que concorde com a sua proibição.
De certa forma, proibir é retirar a forma de identidade que estas mulheres têm, apesar de errada. Mas é a delas. É obrigá-las a sentirem-se desconfortáveis. É acima de tudo negar-lhes o direito à liberdade de escolha. É que escolhas erradas todos fazemos, muitas delas condicionadas. Mas não nos retirem é o direito de as podermos ter.
Tenho ouvido vários discursos que apontam na mesma direcção (um deles vindo dessa grande santidade, o papa): a de que os imigrantes tem de se adaptar aos costumes do país onde vivem. Não concordo com isto. Um imigrante, pode (deve) ser peça útil e fundamental no país onde está... se trabalha, se paga impostos, se não comete crimes, se não rouba. É isso que espero dele. E que seja ele próprio, que nos enriqueça com as suas idiossincrasias e diferenças.
E neste caso concreto, não me parece sequer que as mulheres mulçumanas tentem impingir o uso de burkas. Usam-nas elas. Porque querem, porque é escolha (ainda que errada, "obrigada"), porque é a forma que têm de ser, a que conhecem, a que lhes ensinaram.
E não se ensina a estas mulheres o contrário, com uma lei.
Até porque proibir, cria sub-mundos.
E faz-me crer que, a proibir, teria também de proibir a minha colega de acordar, todos os dias, 2 horas mais cedo para se "arranjar" e de usar uns saltos tão altos, mas tão altos, que tem actualmente diversos problemas ósseos graves, nomeadamente de coluna, sofrendo, por isso, dores excruciantes (mas que não põe sequer a hipotese de abdicar dos saltos altos). E o curioso é que ambas as mulheres dir-me-ão que são formas de exaltar a sua feminilidade e que se sentem bem assim.
E depois, há esta noção de superioridade civizacional que impõe, que obriga, que homogeniza, que acha que tem autoridade moral e que utilizando o estandarte argumentativo do conceito de liberdade... a retira. De nós, os civilizados... nós que enforcamos pessoas, nós que violamos criancinhas de 3 anos, nós que temos locais próprios e conhecidos para torturar pessoas, nós que temos um vizinho de cima que morreu à 3 meses e nem sabemos, nós que exploramos e manipulamos. Sim... pronto... é verdade... existe uma diferença... nós fazemo-lo de uma forma legítima e até juridicamente sustentada e aceite.
Tive um professor de Antropologia, que quando ensinava as sucessivas tentativas históricas de supremacia civizacional e de eugenia, concluia que nunca, mas nunca, podemos cair no erro de dizer que há culturas melhores que outras. Há sim, culturas diferentes. Aqui o conceito de diferença é determinante. E como sempre, assusta. Há que acabar com ele. Proibir.
No entanto, e porque neste caso, o conceito de diferença atenta contra os direitos humanos, e sem querer fazer futurismos, acredito que, se não se proibisse, seriam as próprias filhas e netas destas mulheres que, por sua vontade própria, não iriam usar burkas. Simplesmente porque não lhes faria sentido faze-lo.
De referir ainda toda a pseudo-argumentação em torno deste assunto. A de que é uma medida pedagógica, de defesa dos direitos humanos. A mim parece que apenas guetiza e cria a noção que estas mulheres são criminosas (porque a proibição vai contra elas) e não que são vitímas. Há ainda a tentativa de criar um "símbolo" redutor e simplista utilizando a imagem da mulher de burka como identificativa de toda a comunidade muçulmana (incivilizada, claro). E depois é só dar enfâse, falar muito no assunto, o papel preponderante da comunicação social que veicula e perpetua a imagem (símbolo- mulher burka, muçulmanos, incivilizados, selvagens que atentam contra liberdade e os direitos humanos na sua pior forma).
Depois a outra argumentação, a da necessidade de identificar todas as pessoas por questões de segurança. Esta, a mim, mete-me medo. Mas também... calculo que seja essa a intenção.
Já agora, para quando uma lei a acabar com aquela coisada que as freiras usam na cabeça? ok, ok... nessas sempre conseguimos ver os olhinhos... Mas a razão, o príncipio é o mesmo, afinal as religiões, apesar de "inimigas" tocam-se em muitos aspectos, entre eles, este: os cabelos cheirosos duma mulher colados a um pescocinho convidativo e lascivo a terminarem-se nuns ombrinhos libidinosos cuja curva luxuriosa do peito se adivinha... Tapa. Tapa tudo.
Ah...é verdade. Já me esquecia. O título do post. É que parece que apenas existem 50 mulheres na Holanda que usam Burka. No entanto, parece ser prioridade europeia acabar com a indumentária destas senhoras. Não vão elas (as 50) engolir-nos a todos para debaixo das suas Burkas e assim dar-se a conquista do Islão sobre o Ocidente.
06 Novembro 2006
Sober(bo)
O meu acto de profundo atrevimento e prevaricação (que me valeram umas valentes, mas infrutíferas reprimendas por parte do pessoal da organização) ao gravar partes do concerto dos Tool, ontem à noite, no Pavilhão Atlântico, foi castigada pela minha total incompetência. E uma vez que nenhuma das minhas gravações se aproveita, fica esta, da música Aenema, cuja qualidade foi a possível, de alguém que estava na plateia e cujo video já está no you tube.
Comentários acerca do concerto:
- A actuação dos Mastodon, que superou as minhas expectativas, foi prejudicada pelo facto de terem começado a sua actuação com o Pavilhão ainda praticamente vazio, devido ao atraso na abertura das portas.
- O vocalista dos Tool, Maynard James Keenan, apresentou-se com uma máscara (de gás?), que não tirou durante todo o concerto, onde tinha incorporado o microfone, dando-lhe assim liberdade para uma maior expressão corporal. Permaneceu sempre na parte de trás do palco, o que para quem estava na plateia, dava um plano interessante, pois ficava em frente de um dos ecrans. Não foi o meu caso que fiquei num dos lados do balcão, o que reduziu a minha visibilidade do vocalista. Esta posição possibilitou-me uma perspectiva diferente, mais abrangente e interessante do concerto, sendo certo, no entanto, que da póxima vez que os vir, será indiscutivelmente na plateia.
- Os Tool estão claramente mais "zen" e conceptuais, as imagens estão menos específicas e "dark", fizeram uma pausa no meio do concerto para relaxar, deram um abraço colectivo no fim do concerto... Os Tool são uma banda de registo "interior", de processo emotivo, como se a sua música fosse, de facto, uma "ferramenta" para um qualquer processo de terapia e amadurecimento, ainda que a estranheza, continue a ser uma marca (e ainda bem) que os caracteriza, pois essa terapia será sempre feita através da exploração da dor física e emocional.
- Para grande pena minha, afinal não tocaram músicas dos Perfect Circle (alguém me andou a fornecer informações enganosas, tss tss).
- Algumas músicas foram simplesmente esmagadoras, numa simbiose de arte e emoção, aliada a uma explosão de imagens, luzes e vibrações potentíssimas. Arrebatador.
- Maynard Keenan referiu que vão voltar a Portugal no próximo verão. Cá os espero, até porque este concerto, tendo sido muito especial para mim, soube-me a pouco.
23 Outubro 2006
Lady in the Water

Não era para ver este filme, contos de fadas não é bem "a minha onda", mas a controvérsia sobre o filme tem sido tanta (filme que era inicialmente para ter sido produzido pela Disney, mas devido a divergências com realizador e o alegado carácter estranho da história, não se concretizou) e tem dividido tantas opiniões, que tive de ver.
Lady in the Water é o novo filme de M. Night Shyamalan (cada vez que tento verbalizar este nome, enrolo-me toda), argumentista e realizador indiano de "A Vila", "Sinais", "O Protegido" ou "O Sexto Sentido".
Gostei da Vila, principalmente da parte estética e visual do filme, com imagens que me ficaram gravadas. E inequívoca é a capacidade que Shyamalan tem para fazer um filme em torno do nada, através do enorme suspense que cria em volta de fantasmas que existem apenas porque nós os criamos. Existe uma tentativa eficaz de manipulação do espectador. Shyamalan é conhecido ainda pelos seus volte-face no fim dos filmes. Exemplo disso é o Sexto Sentido (sentido esse que não é permitido aos vivos). Impregna os seus filmes com alguma religiosidade, a fragilidade do ser humano, confrontada com algo "maior".
Os Sinais não gostei. Mas aqui entra o meu ódio de estimação pelo Mel Gibson (que já vem de longe) e esta minha incapacidade de dissociar as personagens das pessoas. E aqueles extra-terrrestres mal engendrados tambem não ajudaram à minha opinião acerca do filme...
A Senhora da Água, é uma fábula, originalmente escrita pelo realizador para adormecer os seus filhos. A história gira em torno de Story, uma pura e misteriosa ninfa, uma "narf", que vive nas passagens debaixo da piscina de um complexo de apartamentos. Cleveland Heep e os restantes moradores vão tentar ajuda-la através da descodificação de enigmas a regressar ao seu mundo pois é perseguida por criaturas malévolas que a impedem de o fazer.
Story desperta sensações estranhas nas pessoas, potencia-as, estimula-as, Cleveland, por exemplo, perde a gaguez sempre que está com ela (achei a interpretação deste actor excessiva, "over-acted").
Sempre gostei de personagens esquizofrenoídes e estes filme tem algumas. Um inquilino que apenas levanta pesos com metade do corpo o que faz com que tenha um braço digno do Hulk e o outro franzino, tendo sido esta a forma que encontrou para "ser especial" (a sua "especialidade" afinal vai ser outra, no final do filme, bem mais digna).
Temos também um escritor (cujo actor é o próprio Shyamalan) aparentemente falhado, que está a escrever um livro sobre questões políticas, livro este que irá, alguns anos mais tarde, influenciar alguem que o vai ler e que inspirado nesse livro, vai ter um papel decisivo no curso da história. Quem lhe diz é a ninfa, que também vê o futuro. É aliás por causa deste escritor que a ninfa aparece, para lhe devolver a inspiração e garantir que este termina o livro (e aqui, algo me fez lembrar o argumento do Exterminador Implacável). Diz-lhe tambem que por causa desse mesmo livro vai ser assassinado. Fica a personagem, por um lado, com a certeza das consequências decisivas para a humanidade que o seu livro vai ter e, por outro lado, que uma dessas consequências é a sua própria morte.
O cenário do filme é sempre o mesmo. O conjunto de apartamentos com a piscina no meio. Nunca saimos dali. Tudo e depois todos, se concentram para aquele fim. A forma de filmar é ela própria experimentalista, com planos estranhos.
Não consegui deixar de me lembrar do Big Fish do Tim Burton, ambos são filmes que saem um pouco do habitual registo dos realizadores e ambos apelam à fantasia, ao absurdo, ao sonho e uma certa loucura para fazer face às agruras da vida.
É um filme que contém uma enorme quantidade de mensagens subliminares. Uma delas parece-me óbvia, a do crítico de cinema. Shyamalan parecia adivinhar que este filme não ia ser bem recebido pela totalidade da crítica. Anteveu-se e criticou ele próprio os críticos de cinema com uma personagem que, em nada, os enobrece. Será também uma farpazinha aos produtores da Disney que acharam o argumento demasiado “negro”. Aqui terá roçado o óbvio e o moralismo.
Algumas críticas que tem sido feitas ao filme prendem-se com a inconsistência da personagem da ninfa, o viver num piscina, o não ter caracerísticas físicas de quem vive no mundo aquático, a extrema facilidade com que todos os moradores aceitaram a sua existência. É quase como se uma vez que as personagens acreditam, nós, os espectadores, também temos de acreditar. Pode ser um erro. Ou não. Afinal é um conto para crianças. E as crianças têm outro tipo de prioridades, outro tipo de perguntas e querem outro tipo de explicações que não são as mesmas, que nós, adultos, queremos. Mas o filme pode ter falhado aqui, pois quis transformar um conto de crianças, num conto de adultos. E para isso é preciso criar uma ligação e um compromisso com o espectador.
Ou talvez seja simplesmente um filme que não está ao alcance de todos. Talvez não esteja inclusivamente ao meu, pois não foi um filme que me deixasse deslumbrada. Apenas alguns fragmentos do filme, deixaram...
17 Outubro 2006
O Barricanço

Tenho lido muitos comentários menos elogiosos sobre as pessoas que se barricaram no Teatro Rivoli em protesto contra a sua privatização. Que buscam protagonismo, que querem é aparecer na televisão.
Sinceramente, acho que o que não falta são pessoas que aparecem na televisão, essas sim à procura de protagonismo, sob pretextos inócuos e ignóbeis. Mas essas comemos e calamos e com sorte até deixamos a gravar.
Por outro lado, tudo o que serve para provocar e abrir guerra ao Rui Rio, dá-me um certo prazer. Rui Rio acha que o Porto é seu e não das pessoas que lá vivem, que lá trabalham e que usufruem da cidade. Rui Rio não gosta de movimentos cívicos e associativistas, só daqueles que pode subsidiadamente controlar. Rui Rio não ouve o que estas pessoas tem para dizer, mas será, eventualmente, a Ministra da Cultura, que vem de Lisboa, a ouvi-los. Rui Rio moveu influências e passou o concerto do Luís Represas de hoje à noite para a Casa da Música (ah pois é, que a mim ninguém me passa a perna e vocês, seus párias, nem me dão comichão). Rui Rio cortou a electricidade, cortou a água, fechou as portas e ligou o ar condicionado no máximo, com a esperança de que os infractores saiam de lá com estalactites penduradas no nariz. Rui Rio é assim... a good felow.
E pessoalmente, acho que até nos devíamos barricar mais. Desenvolver a arte do barricanço. Barricar sem violências e sem armas, que isso são brincadeiras perigosas.
Só acho é que não nos devíamos barricar só no que toca à Cultura.
Devíamos-no barricar nas Finanças, porque não há meio de levantarem o sigilo bancário e as infracções fiscais continuam a proliferar.
Devíamos-nos barricar na Segurança Social porque querem que o nosso futuro seja uma roleta russa.
Devíamo-nos barricar nos Tribunais por causa dos processos jurídicos burocratizados, do bloqueamento de decisões, da falta de transparência e dos graves custos que tudo isto acarreta para os cidadãos.
Devíamos-nos barricar no Centro de Emprego, porque há umas mentes iluminadas que acham que o país só sai da modorra, se se despedir 200 mil funcionários públicos (e já que lá estamos, mais vale irmos preenchendo os papéis do subsídio de desemprego).
Devíamos-nos barricar nos Hospitais, porque acham que ir às urgências é o mesmo que ir ao cinema e fumar um cigarrinho e portanto, se vamos lá para nos divertirmos, devemos pagar.
Sendo certo que, se o barricanço se tornassse moda, o governo haveria de encontrar uma forma de rentabilizar o fenómeno, fazer dele um negócio e dar lucro, lucro, lucro, criando Taxas Moderadoras de Barricamento, cujas facturas iam parar a casa uns dias depois do nosso barricanço (com a opção de pagamento por multibanco, claro).
Mas sendo certo tudo isto, continuo a achar que barricar é bom.
Que barricar é salutar.
Eu cá, sou pelo barricanço.
Barricar, barricar, barricar.
16 Outubro 2006
Always Look On The Bright Side Of Life
Ando preocupada com a sanidade mental deste blog, que tem oscilado entre a exploração da dor física, a vingança, o trauma e o canibalismo. Ando também preocupada porque sinto que se continuar a persistir neste diabólico caminho que tenho vindo a trilhar nos últimos posts, ficarei sem comentadoras femininas, cujos repúdios têm sido evidentes e cruéis.
Mas o caminho da luz fez-se quando li o que António Saraiva, Director do Lol, ops, Sol, escreveu (via Devaneios Desintéricos):
Quero, portanto, mudar o registo deste blog, fazer uma celebração da vida, deixar uma mensagem de luz e amor.
Ainda tive para falar de estrelas brilhantes, esperanças e sonhos. Mas nada como deixar uma música, cantada por pessoas cruxificadas, que dizem que apesar de "Life's a piece of shit", temos é de a encarar pelo lado positivo.
Always Look on the Bright Side of Life - Monty Python
Some things in life are bad
They can really make you mad
Other things just make you swear and curse.
When you're chewing on life's gristle
Don't grumble, give a whistle
And this'll help things turn out for the best...
And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...
If life seems jolly rotten
There's something you've forgotten
And that's to laugh and smile and dance and sing.
When you're feeling in the dumps
Don't be silly chumps
Just purse your lips and whistle - that's the thing.
And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...
For life is quite absurd
And death's the final word
You must always face the curtain with a bow.
Forget about your sin - give the audience a grin
Enjoy it - it's your last chance anyhow.
So always look on the bright side of death
Just before you draw your terminal breath
Life's a piece of shit
When you look at it
Life's a laugh and death's a joke, it's true.
You'll see it's all a show
Keep 'em laughing as you go
Just remember that the last laugh is on you.
And always look on the bright side of life...
Always look on the right side of life...
(Come on guys, cheer up!)
Always look on the bright side of life...
Always look on the bright side of life...
(Worse things happen at sea, you know.)
Always look on the bright side of life...
(I mean - what have you got to lose?)
(You know, you come from nothing - you're going back to nothing.
What have you lost? Nothing!)
Always look on the right side of life...



